Com diagnosticar a Enxaqueca ?

O diagnóstico da enxaqueca é eminentemente clínico.

O exame físico pouco esclarece e a realização de complementares só se justifica para a pesquisa da outras enfermidades.

A avaliação de um paciente com cefaléia depende fundamentalmente de uma história cuidadosa e de exame clínico pormenorizado portanto é imprescindível a anamnese, que vai nos permitir diferenciá-la de outras patologias como também classificá-la, condição esta primordial para a definição de uma proposta terapêutica.

Na coleta da historia clínica deve-se estar atento as seguintes informações:

- Momento do início da cefaléia
- Horário, circunstância
- Intensidade e caráter da dor
- Duração da dor
- Localização, irradiação
- Sono/profissão/ alt.Emocionais
- Periodicidade
- Sintomas físicos / neurológicos
- Variações sazonais
- Evolução dos sintomas e freqüência
- Tratamentos atuais prévios
- Abuso de analgésicos

A crise típica se caracteriza pela presença de dor de cabeça moderada a intensa ou intensa, progressiva, de localização frontotemporal unilateral ou bilateral, em caráter pulsátil e/ou pressão, geralmente associada a náuseas (podendo estar presente vômitos) e fobias (intolerância a luz forte e/ou ruídos intensos e/ou odores mais marcantes).

A enxaqueca pode se apresentar acompanhada de sinais neurológicos focais, chamado aura, portando, a enxaqueca é classificada pela sua presença ou não.

Portanto, cabe ao médico frente a todas as informações coletadas estabelecer o diagnóstico de Enxaqueca, pois como visto em outros tópicos é fundamental o diagnóstico diferencial com outras enfermidades.


O que causa a Enxaqueca ?

Muitas têm sido as hipóteses propostas para explicar a origem das enxaquecas, tais como alimentar, alérgica, vascular, bioquímica (serotoninérgicas), desordens plaquetárias, problemas na barreira hematoencefálica, origem psicogênica, entre outras, e dentre elas, destaca-se a teoria vascular e a da inflamação neurogênica como as mais abrangentes.

Em resumo, a patogênese da enxaqueca envolve alteração da dilatação vascular, ativação neural e espasmo muscular.

Atualmente, acredita-se que a enxaqueca ocorra em decorrência de um processo em 4 etapas:

1ª fase: Desencadeante – seja ele físico, químico ou psicológico – inicia uma alteração química na rafe dorsal e no lócus cerúleo, levando à liberação de serotonina e noradrenalina.

2ª fase: A liberação química ocasiona vasodilatação; como conseqüência, aumenta o fluxo sangüíneo. A serotonina também estimula o centro do vômito.

3ª fase: A dilatação dos vasos dispara o sistema trigeminal. Sinais são devolvidos do núcleo trigeminal ao longo das mesmas fibras nervosas para os vasos dilatados, fazendo que eles se dilatem ainda mais. O sistema trigeminal ativa o hipotálamo, causando desejo de alimentos específicos, fotofobia e fonofobia; alguns sinais também vão à parte superior da medula espinhal, criando tensão e espasmos dos músculos na parte posterior da cabeça e do pescoço.

4ª fase: Os sinais sobem ao tálamo e ao córtex, ocorrendo a cefaléia.

Portanto, o tratamento de enxaqueca deve atuar junto a este sistema, o que o torna multi facetário.

Tratamento da Enxaqueca


Como visto em outros tópicos, a Enxaqueca é a manifestação clínica de alterações funcionais ocorridas no encéfalo, que tem sua origem em um distúrbio vascular junto ao sistema nervoso central.

Na visão da medicina biológica a Enxaqueca deve ser tratada sob 2 frentes, a primeira na solução dos sintomas (dor, distúrbios gastrointestinais, etc) e no tratamento da crise e na segunda buscando o equilíbrio metabólico funcional do organismo

Os sintomas devem ser tratados com o uso de analgésicos, anti-eméticos e tranqüilizantes, e a crise com medicamentos que atuem inibindo a dilatação de vasos meníngeos quanto reduzindo a ativação neural anormal.

O equilíbrio metabólico funcional se obtém com um adequado programa de desintoxicação, aonde através do uso de ações dietético-terapêuticas se promove a estimulação dos órgãos de drenagem (intestinal, renal, circulatório), além de promover a adequada modulação funcional do organismo.

Para tanto podemos utilizar medicamentos alopáticos, fitoterápicos e antihomotóxicos (complexos homeopáticos).

A Acupuntura por atuar tanto no equilíbrio funcional como na modulação de inúmeros neurotransmissores se coloca como uma excelente ferramenta terapêutica podendo ser utilizada de forma isolada ou associada a outras estratégias dietético-medicamentosas.

Por outro lado, recomendamos inúmeras ações gerais com o objetivo de minimizar as crises, como por exemplo:

- Compressão das artérias temporais
- Aplicação de gelo ou spray gelado na têmpora
- Escalda-pés quente, mais toalha fria na cabeça
- Banho de contraste (quente - frio)
- Técnicas de bio-feedback
- Inalação de O2 puro (5-7 L/min por 15 - 20 min.)
- Respiração em saco plástico (por 5 - 8 min.) ou de carbogênio
- Indução de sono não medicamentoso (crianças)

O importante é que o tratamento da Enxaqueca deve ser individual não havendo fórmula mágica.

Cada indivíduo tem um tipo de resposta, portanto, o remédio que deu certo para uma pessoa pode não dar certo para outras.



Fonte: Medicina Biologica